Através de eufemismos, paradoxos e metáforas segue-se um caminho nebuloso.
Não dá tempo de parar e observar sempre o que está havendo de certo ou errado.
E esses dias passam meio assim: em branco.
Desconfia-se que alguma parcela de vida fica ali, diluída nas relações do meio.
No amparo, na dor, no que deveria ter feito, no que não deveria ter sido.
E então aparecem os sintomas.
Na mesa ficam resquícios do pão consumido na refeição matinal de alguns dias.
No chão os fios de cabelo de outrora que passam a ser desnecessários.
No ar uma mistura de odores doces de hoje com perfumes secos do passado.
E todos os indícios contam uma história.
Apesar de nada disso e muito mais não ficar por escrito.
terça-feira, 3 de maio de 2016
Audioslave - Shadow On The Sun
Once upon a time I was of the mind
To lay your burden down
And leave you where you stood
And you believed I could
You'd seen it done before
I could read your thoughts
Tell you what you saw
And never say a word
Now all that is gone
Overwith and done - never to return
I can tell you why
People die alone
I can tell you I'm
A shadow on the sun
Staring at the loss
Looking for a cause
And never really sure
Nothing but a hole
To live without a soul
And nothing to be learned
I can tell you why
People go insane
I can show you how
You could do the same
I can tell you why
The end will never come
I can tell you I'm
A shadow on the sun
Shapes of every size
Move behind my eyes
Doors inside my head
Bolted from within
Every drop of flame
Lights a candle in
Memory of the one
Who lives inside my skin
I can tell you why
People go insane
I can show you how
You could do the same
I can tell you why
The end will never come
I can tell you I'm
A shadow on the sun
To lay your burden down
And leave you where you stood
And you believed I could
You'd seen it done before
I could read your thoughts
Tell you what you saw
And never say a word
Now all that is gone
Overwith and done - never to return
I can tell you why
People die alone
I can tell you I'm
A shadow on the sun
Staring at the loss
Looking for a cause
And never really sure
Nothing but a hole
To live without a soul
And nothing to be learned
I can tell you why
People go insane
I can show you how
You could do the same
I can tell you why
The end will never come
I can tell you I'm
A shadow on the sun
Shapes of every size
Move behind my eyes
Doors inside my head
Bolted from within
Every drop of flame
Lights a candle in
Memory of the one
Who lives inside my skin
I can tell you why
People go insane
I can show you how
You could do the same
I can tell you why
The end will never come
I can tell you I'm
A shadow on the sun
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Breaking Benjamin - I Will Not Bow
Fall
Now the dark begins to rise
Save your breath, it's far from over
Leave the lost and dead behind
Now's your chance to run for cover
I don't wanna change the world
I just wanna leave it colder
Light the fuse and burn it up
Take the path that leads to nowhere
All is lost again
But I'm not giving in
I will not bow
I will not break
I will shut the world away
I will not fall
I will not fade
I will take your breath away
Fall
Watch the end through dying eyes
Now the dark is taking over
Show me where forever dies
Take the fall and run to Heaven
All is lost again
But I'm not giving in
I will not bow
I will not break
I will shut the world away
I will not fall
I will not fade
I will take your breath away
And I'll survive, paranoid
I have lost the will to change
And I'm not proud, cold-blooded fate
I will shut the world away
(Open your eyes)
I will not bow
I will not break
I will shut the world away
I will not fall
I will not fade
I will take your breath away
And I'll survive; paranoid
I have lost the will to change
And I'm not proud, cold-blooded fate
I will shut the world away
Now the dark begins to rise
Save your breath, it's far from over
Leave the lost and dead behind
Now's your chance to run for cover
I don't wanna change the world
I just wanna leave it colder
Light the fuse and burn it up
Take the path that leads to nowhere
All is lost again
But I'm not giving in
I will not bow
I will not break
I will shut the world away
I will not fall
I will not fade
I will take your breath away
Fall
Watch the end through dying eyes
Now the dark is taking over
Show me where forever dies
Take the fall and run to Heaven
All is lost again
But I'm not giving in
I will not bow
I will not break
I will shut the world away
I will not fall
I will not fade
I will take your breath away
And I'll survive, paranoid
I have lost the will to change
And I'm not proud, cold-blooded fate
I will shut the world away
(Open your eyes)
I will not bow
I will not break
I will shut the world away
I will not fall
I will not fade
I will take your breath away
And I'll survive; paranoid
I have lost the will to change
And I'm not proud, cold-blooded fate
I will shut the world away
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Epifania à meia-noite
Afinal, sou eu quem está manipulando (a vida) ou será que estou sendo manipulado (por ela)?
Nos momentos de tensão é que percebemos que não somos mais quem fomos (e deixamos de ser).
Que não há como voltar atrás, nem como desconstruir por completo o que foi consolidado.
Não há mais noites com a TV ligada a iluminar o quarto com vários tons a cada instante.
Não existe mais o som noturno do grilo que não pode ser ouvido ao chegar nos cinquenta.
Persistem algumas perguntas repetidas, mal respondidas, trazendo filmes (flashbacks) do passado.
Ainda se ouvem certos ruídos triviais (olha o trem das onze horas...), entretanto se faz uma leitura diferente, mais racional.
É preciso reconstruir, resgatar alguns valores e descartar certos temores.
Viver é sutil (e isso não quer dizer que seja fácil).
Nos momentos de tensão é que percebemos que não somos mais quem fomos (e deixamos de ser).
Que não há como voltar atrás, nem como desconstruir por completo o que foi consolidado.
Não há mais noites com a TV ligada a iluminar o quarto com vários tons a cada instante.
Não existe mais o som noturno do grilo que não pode ser ouvido ao chegar nos cinquenta.
Persistem algumas perguntas repetidas, mal respondidas, trazendo filmes (flashbacks) do passado.
Ainda se ouvem certos ruídos triviais (olha o trem das onze horas...), entretanto se faz uma leitura diferente, mais racional.
É preciso reconstruir, resgatar alguns valores e descartar certos temores.
Viver é sutil (e isso não quer dizer que seja fácil).
domingo, 25 de outubro de 2015
Atonia
Ação ausente e amargura silente.
Todos os dias são iguais, inodoros.
Ou ainda melhor,
Nada se vê quando se tenta olhar.
Indiferença surda em meio a burburinhos.
Agonia muda que dói.
.
.
.
Todos os dias são iguais, inodoros.
Ou ainda melhor,
Nada se vê quando se tenta olhar.
Indiferença surda em meio a burburinhos.
Agonia muda que dói.
.
.
.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Coming back home
Não havia dado conta do tempo que deixara a casa ("home sweet home") abandonada.
Do nada um insight, por uma janela quisera dar uma rápida olhada.
Em meio a camadas de teias, tecidas em complexas formas geometricamente simétricas, nada mais que um lar, doce lar.
Seu recheio estava esvaziado, seu conteúdo esquecido como uma garrafa de vidro que pede socorro flutuando ao léu sobre o mar.
Ficara somente silêncio e solitude em tons pastel, influências esquecidas em rebocos doentes.
Reverberações fluentes asiladas, imaturidade que revivera paradoxalmente madura a olhos já dementes.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Autoconceito
Não tem sonhado ultimamente.
Não tem tido motivos para escrever.
Não tem conseguido energia para pensar criticamente.
E vai ficando assim, em cima do muro.
E vai ficando assim, numa caverna escura.
E vai ficando assim, vagando na rua sem rumo e só.
Meio cambaleante, pernas são tesouras e cortam o caminho.
Meio cambaleante, afeto idiossincrático impessoal.
Meio cambaleante, trocando letras e setas da posição original.
Assim fica assim, insegurança.
Assim fica assim, sem esperanças.
Assim fica assim, mudo silêncio.
Autoconceito, confiança zero.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Borboleta
Certa vez li ou ouvi em algum lugar que a chance de uma borboleta chegar à idade adulta é de 1 para cada 1000 lagartas nascidas vivas. Fico imaginando o que acontece às outras lagartas nesse intercurso entre a infância e a metamorfose.
Fazendo uma análise biológica, provavelmente trata-se de um controle populacional da natureza, visto que milhões de ovos de borboletas devem estar sendo entregues ao ambiente diariamente. Se todas sobrevivessem, ou ao menos a maioria, teríamos uma série de problemas.
Para citar alguns: Primeiro, haveria uma espécie de destruição das espécies vegetais em massa, por uma praga de lagartas sedentas por alimento. Segundo, haveria um aumento expressivo da população de outras espécies, especialmente os predadores naturais das borboletas. E terceiro, talvez o menos importante (ou até mais expressivo para alguns), as borboletas perderiam a capacidade de chamar a atenção e mudar o mundo com o seu bater de asas.
Veja como o efeito borboleta é curioso, surpreendente e, por vezes, cruel/belo. Se você tivesse feito aquilo que queria ou não queria ontem, na semana anterior, no mês passado ou há dez anos trás, o que está para acontecer daqui a um minuto talvez fosse diferente. Tudo isso na prática é tão teórico e gera um paradoxo infinito, visto que na vida as coisas tendem a ser unidirecionais com apenas um desfecho, uma escolhe dentre tantas opções a cada instante.
Fica então a dica. Aproveitar a vida, tentando escolher a melhor opção, pois, como o bater de asas de uma borboleta, sua passagem pelo mundo modifica (e muito) o rumo das outras vidas que existem ao seu redor. Não esqueça esse valor!
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Paralelepípedo
Foram-se os dias em que se achava que a maior palavra do dicionário português era inconstitucionalissimamente.
Hoje eu sei que nõ soy fiera, jo soy apenas una esfera.
Às vezes sinto que tu és como um paralelepípedo azul-marinho abandonado "lonelymente" no asfalto quente de uma estrada qualquer que liga o Equador à Colômbia.
Como se hablas muchaca en sul-coreano?
Acho que andei fumando óregano demais esses dias, o que arrebentou as conexões viáveis do meu giro cingulado, deixando-me assim, meio "grog".
O pior é permanecer acordado durante uma paralisia do sono projetando e introjetando sonhos completamente desvairados.
Ademais, saiba que um grito no silêncio escuro que dorme profundamente não reverbera som algum jamais.
Hoje eu sei que nõ soy fiera, jo soy apenas una esfera.
Às vezes sinto que tu és como um paralelepípedo azul-marinho abandonado "lonelymente" no asfalto quente de uma estrada qualquer que liga o Equador à Colômbia.
Como se hablas muchaca en sul-coreano?
Acho que andei fumando óregano demais esses dias, o que arrebentou as conexões viáveis do meu giro cingulado, deixando-me assim, meio "grog".
O pior é permanecer acordado durante uma paralisia do sono projetando e introjetando sonhos completamente desvairados.
Ademais, saiba que um grito no silêncio escuro que dorme profundamente não reverbera som algum jamais.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Inerte
Imóvel, fixo como uma esponja-do-mar numa fossa abissal ao sul do Pacífico.
Fixo, imóvel como uma estátua greco-romana em frente à catedral de Lourdes.
Indiferente, pálido como a neve ao descongelar lentamente na transição do inverno para a primavera.
Pálido, indiferente às variações de temperatura e pressão, quer faça Sol ou chuva.
Esquivo, fugaz como o fogo-fátuo noturno das lápides cinzentas no velho cemitério.
Fugaz, esquivo a evitar o conflito direto com as forças armadas de maior poder.
Estagnado, inerte e hesitante perante a execução ou não de uma pena de morte.
Inerte, estagnado como um pensamento reverberante em meio às trevas da eterna perplexidade.
Fixo, imóvel como uma estátua greco-romana em frente à catedral de Lourdes.
Indiferente, pálido como a neve ao descongelar lentamente na transição do inverno para a primavera.
Pálido, indiferente às variações de temperatura e pressão, quer faça Sol ou chuva.
Esquivo, fugaz como o fogo-fátuo noturno das lápides cinzentas no velho cemitério.
Fugaz, esquivo a evitar o conflito direto com as forças armadas de maior poder.
Estagnado, inerte e hesitante perante a execução ou não de uma pena de morte.
Inerte, estagnado como um pensamento reverberante em meio às trevas da eterna perplexidade.
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