quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz ano novo

Mais um ano completa a maratona de 365 dias sem que percebamos sua fuga silenciosa.
Os adesivos permanecem nas agendas velhas e os cartões acumulam-se dentro das gavetas.
O relógio ainda traz as horas em sequência crescente, o 1-2-3 interminável e enigmático, que não me faz ganhar na Mega Sena.
A Yazawa que não demonstra melhoras, o cão Hachiko que ganha espaço no cinema americano e a estranha morte da Lady Murphy...
É, tanta coisa parece ter acontecido ontem e já faz um ano. Tanta coisa aconteceu esse ano, que desaparece na simples cronologia de um dia, de um mês, de uma estação...
Na janela ainda há vazio, um silêncio interrompido pelas luzinhas restantes do Natal.
Na carteira velha havia um cartão esquecido, acredito que não só por mim, mas por quem o fez também. E já fazem mais de 10 anos!
Estrondos contínuos de rojão a fragmentar o espaço e o tempo nos últimos segundos. Brilhos que jamais serão repetidos na mesma ordem e posição.
Explosão e suspiro. Hora da psicodeliamania. Ameixas rosadas que parecem maçãs.
Como é possível regredir e transgredir ao mesmo tempo?
Já está quase visível a tênue linha entre futuro e passado, que se encontram nesse momento.
Feliz ano novo. Ano feliz novo. Novo ano feliz.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Duas patadas no rosto e uma mordida na mente

Ele não sabe por mais quanto tempo esse coliseu irá ficar erguido. Tem dias que a fisionomia dos gladiadores é tão hostil que o leão em sua jaula fica perplexo. Como é possível aqueles homens estarem tão determinados em matar uns aos outros? Seria o instinto de sobrevivência ou o puro prazer de provar que é o melhor dentre todos?
Não é compreensível para um leão, mesmo sendo o rei, a característica confusa da mentalidade humana. Gladiadores com suas armas em punho, prontos para retirarem a vida de seus semelhantes. Um leão a observar aquilo com olhos curiosos, sem mostrar qualquer entendimento. Confusão total.
Espero que o juízo seja feito. Que sobrevivem apenas, além do leão e sua inocência, aqueles que forem mais espertos, não em criar métodos para derrotar os outros homens, mas que percebam a existência da grande platéia sedenta por sangue a sua volta, e não se deixem enganar pelos aplausos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Brilho de uma mente sem lembrança

Meu lobo occipital parecia estar em plena atividade. Meu corpo estava congelado, meus braços não respondiam à minha vontade de mexê-los. Acho que eu estava preso no espaço que existe entre o sono profundo e o estado de alerta. Inexplicável e curioso, como se parte de meu cérebro estivesse consciente do ambiente e a outra parte permanecesse sonhando com coisas que já não lembro mais veementemente.
Diante do espelho minha vista está embaçada e há um silêncio em minha consciência. Na hora do banho, ao cair água em minha cabeça, ouço gritos e duas pezadas fortes ecoam entre o barulho das gotas que caem no chão e escorrem pelo ralo. Queria poder voltar àqueles dias em que observava as nuvens pela fosca janela enquanto a água purificava minha alma.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Satsuki - Kagrra

雫滴る 硝子の向こうは
嗚呼 遥か遠く 瞳に映らない
嗚呼 震えている 記憶にもたれて

声は唯届かずに その手を擦り抜けて行く
涙はまだ零れずに あなたを想うだけ

翳む夕日に壊れたあの日の欠片

声は唯届かずに その手を擦り抜けて行く
涙はまだ零れずに あなたを捜してる

嗚呼 遥か遠く 私の心が
嗚呼 震えている 心が哭いている

声は唯届かずに その手を擦り抜けて行く
涙はまだ零れずに あなたを捜してる

声は唯届かずに…
涙はまだ零れずに…

- Romaji -

shizuku shitataru, garasu no mukou wa
aa, haruka tooku, hitomi ni utsuranai
aa, furueteiru, kioku ni motarete

koe wa tada todokazu ni, sono te o suri nukete yuku
namida wa mada koborezu ni, anata o omou dake

kasumu yuuhi ni kowareta ano hi no kakera

koe wa tada todokazu ni, sono te o suri nukete yuku
namida wa mada koborezu ni, anata o sagashiteiru

aa, haruka tooku, watashi no kokoro ga
aa, furueteiru, kokoro ga naiteiru

koe wa tada todokazu ni, sono te o suri nukete yuku
namida wa mada koborezu ni, anata o sagashiteiru

koe wa tada todokazu ni...
namida wa mada koborezu ni...

domingo, 15 de novembro de 2009

Paradox Globe - Concept Intro

No globo paradoxal a vida não é simples como na televisão.
As feridas são verdadeiras e doem bastante.
As lembranças não são revividas e se cristalizam na mente como o que chamamos de passado.
O bem e o mal convivem como unidade dentro dos corações de todos os homens.
E o tempo afeta a todos sem se importar com sua origem.

- Será que dessa vez sai alguma coisa? -.-'

domingo, 8 de novembro de 2009

Tarde de domingo

Hoje é domingo, pé de cachimbo.
O cachimbo é de ouro, bate no touro.
O touro é valente, derruba a gente.
A gente é fraco, cai no buraco.
O buraco é fundo, acabou-se o mundo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Gueixa neolatina

Com seus olhos ligeiramente puxados, ela seduzia. Não sei se fazia aquilo de propósito ou se sua beleza exótica era capaz de por si atrair a atenção.
Olhos que brilhavam naquela noite chuvosa, na penumbra do alpendre e me fazia sentir que era observado. Seria aquilo de propósito ou fruto da minha imaginação desejosa?
Seus cabelos longos negros cobriam parte de seu rosto e não recordo de ouvir sua voz. Provavelmente ela é doce ou, quem sabe, incisiva... Um espectro branco a povoar meus pensamentos.
Quem sabe, minha gueixa neolatina, não nos reencontramos um dia desses? Gostaria de ter apenas a coragem suficiente para te fazer sorrir para mim. Um sorriso misterioso a exalar sedução e dúvida.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O último andar

No pôr-do-sol ela se despediu. Eu não recordo seu rosto em todos os detalhes, pouco a vi durante estes anos que nossos caminhos ficavam próximos por alguns instantes. Acredito que ninguém que a via imaginava a tristeza que emanava de seus olhos, um olhar opaco que era disfarçado por sua presença, de certa forma, intimidadora.
Não sei o que passava em seu mundo, nem sei se conseguiria imaginar. Imagino a dor dos que ficaram, a dor daquele que chamou seu nome e não foi atendido, e sua dor intensa a ocultar-lhe, desorientando os percursos paralelos que necessitavam de sua existência para seguirem corretos.
O fato inesperado tira-me as palavras. Fico perplexo de imaginar que tudo isso aconteceu no silêncio da noite, e que já não se podia fazer mais nada para tirá-la da solidão escura do quarto.

sábado, 24 de outubro de 2009

Bocejo

A votação acabou e eu nem havia percebido.
Parece que a voluptuosa dança da esfera de fumaça é ótima mesmo.
Eu sinceramente não concordaria muito com isso.
A fumaça emanada nestes ares é de certa forma áspera para quem vê com olhos de modelo.
Até que cansei ou perdi a vocação para escrever aqui...
Falta-me entusiasmo para cantar a música até o fim (ou será que esqueci a letra?).
Só sei que nada sei - como já dizia o nobre filósofo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Esmeralda

Depois de mais de seiscentas horas, eu te elimino assim.
Uma estrela doente na memória.
A última folha é minha opção final.
Acabo com toda uma história, de vitórias e derrotas.
Um legado que iniciou-se tão subitamente, quando achávamos que conhecíamos as gentes.
Termina tudo em um leve suspiro de paz, com a chance de um recomeço.
Minha translúcida verde esmeralda, aquela que chegou pelos correios há aproximadamente três anos.