sábado, 10 de abril de 2021

Sem vida

Entre sorrisos meia-boca.
E abraços sem vigor, que soltam.
Em traje metálico a ocultar a face real.
Ilusões disfarçadas de mágica.
Cálculos programados como um robô.
Lentes de aumento sobre as peculiaridades.
Músculos sustentados numa estrutura desorganizada.
Pensamentos rodopiando no mesmo eixo.
Sentimentos sabotando convicções da razão.
Vivendo o medo dos outros.
No inferno que é frio.
Num silêncio que pode ser escutado na solidão do carro fechado sem passageiros.
As trevas preenchem o que bloqueia a luz.
Duas faces opostas entre as grades.
Duplicidade digital em duas cidades.
Do desconhecido vêm as respostas mais sinceras.
Quanto tempo foi vivido em meio vazio?
Não há sombras quando a paz habita.

terça-feira, 30 de junho de 2020

Ontem

Queria poder voltar para os sorrisos de outrora.
Um pressentimento, um aperto no peito bem desconfortável.
Sonhando acordado um passado que ainda é presente.
Como disparos que atravessam uma porta de metal, plástico e vidro.
Corpo que encolhe na sua conscienciosidade para proteger a matéria orgânica.
Sem direito a reciclagem ou separação em cestos coloridos.
Um sentimento de fuga, do pensamento para o momento real.
Uma onda sonora que assusta as aves mundanas em dispersão.
Olhos e ouvidos curiosos atraídos pelo cheiro prazeroso do medo alheio.
É tensão, ansiedade. É chorar muito proferindo umas poucas palavras.
São perguntas não respondidas, frases não ditas.
Afetos doces que não foram, mas voltaram amargos ou azedaram em si.
Enfim o fim sutil do livro que traz morte.
Hoje seria amanhã no ontem.
E hoje será ontem no amanhã.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Gelo

Método sólido de ser (inanimado).
Cubo pálido a flutuar sem rumo num ecossistema líquido.
Neve branca a cobrir os contornos deixados pelo outono.
Perda de calor progressiva que se sente espontaneamente.
Sorrisos que se apagam em série automaticamente.
Fusão de equilíbrio em avalanche num toque.
Devaneios carregados pelo vento frio do Ocidente.
Simbologias devoradas por ursos famintos da mente.
Maniqueísmo intrínseco do estado físico: congela-se ou derrete-se?
Iglu que divide um território inóspito em dois silêncios.
Tempestades de granizo que atingem alvos frágeis sem fazer anúncios.
Escolhas neutras realizadas em dias sombrios.
Iras ou irás?
Deveras ou deverás?
O tempo a determinar se há analgesia ou queimaduras.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Sinal amarelo

Hoje avançando sinais amarelos.
Parando na faixa.
Interditado na vertical por transportes e na horizontal por transeuntes.
Reprises de fatos e frustrações de anos anteriores em novas circunstâncias.

Ontem lembrando do que nunca foi lembrado.
Tensões, paixões, ilusões e frustrações que não aconteceram.
O dia espelho 02/02/2020 que passou batido.
Folhas, planilhas, listas e abas abertas empilhadas.

Agora havendo um sopro de palavras.
Decifrando mensagens.
Acordando em cores e adormecendo em preto e branco.
Deitando sob luz e levantando com chuva.


terça-feira, 30 de julho de 2019

Furor

Há espinhos invisíveis ao seu lado, alfinetes ao seu toque.
Um silêncio agressivo, uma palavra doce envenenada.
É como se o ritmo das coisas estivesse acelerado.
Não há tempo de impedir o que está para acontecer.
Há fumaça num vulcão em erupção, e cinzas à sua volta.
Um meteoro e a cratera que se abre no colapso.
As cicatrizes na pele e a kintsukuroi na porcelana.
Há vontade de gritar até quebrar os vidros das janelas.
Bater a porta com toda a força do mundo e não abri-la (nunca) mais.
Enterrar o rosto nas almofadas macias de outrora e rasgá-las com os dentes.
Respirar em sintonia com os batimentos cardíacos.
Há penas, pelos, papéis, perfumes, pós.
O bem sendo mal, o mau sendo bom.
Um prazer agressivo seguido de culpa e de relaxamento.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Anedonia

Como um robô seguindo um trajeto em linha reta, por programação.
Modo automático, calculado para não errar.
Sem afeto, um objeto concreto criado por puro intelecto.
Matemática bruta, zero e um em caracteres pretos numa tela branca.
Não tem cor nem odor nem sabor nem calor.
Silêncio numa avenida barulhenta, planos deixados no papel.
Não dói, não cai, não faz, não pensa, mas continua.
Estátua móvel, fragmento de vidro caído ao chão em milhares de cacos.
Paleta de tons de cinza, passado que rumina, explosão de adrenalina.
Não é arte, não é gourmet, não é nada demais.
Entre o real e o fictício, entre a sombra e o que a define.
Um tanto faz vagante, pilastra grega que insiste em estar de pé ao amanhecer.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Suspiro

Entre grãos de açúcar há um rubi.
Mexendo as claras com as mãos.
Movimentos rápidos e circulares.
Tentativas mal planejadas de acertar o ponto.
Enfim, suspiro.
O ponto do forno é crucial.
Pálido demais não tem sabor.
Bronzeado em excesso ressalta o amargo.
O doce desfazendo na boca em segundos.
Qual suspiro escondeu o rubi?



quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Zero

Xoxo.
Vida.
Umidade.
Tempo.
Significativo.
Refrigerante.
Quanto.
Pobreza.
O.
Nada.
Máquina.
Luminosidade.
Juventude.
Infância.
Herança.
Grau.
Fome.
Esquerda.
Dor.
Chocolate.
Bolero.
Amplitude.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Breaking Benjamin - Red Cold River

Days reborn
Fight with folded hands
Pain left below
The lifeless live again

Run, run, run
Red cold river
Run, run, run
Red cold river

I can't feel anything at all
This life has left me cold and damned
I can't feel anything at all
This love has led me to the end

Stay reformed
Erase this perfect world
Hate left below
The dark stray dog of war

Run, run, run
Red cold river
I can't feel anything at all
This life has left me cold and damned
I can't feel anything at all
This love has led me to the end
Run, run, run
Red cold river
 
Try to find a reason to live
Try to find a reason to live
Try to find a reason to live

I can't feel anything at all
(Try to find a reason to live)
This life has left me cold and damned
(Try to find a reason to live)
I can't feel anything at all
This love has let me to the end
Run, run, run
Red cold river

Vermelho azul

Queria poder colorir céu e mar de vermelho.
Talvez assim pudesse redirecionar fatos.
Recolher os olhos e ver algo nítido no escuro.
Costuma ser difícil escolhas onde há muitas opções.
Parece que algo interno ficou deixado no externo.
Entre tempestades de areia, camada sobre camada.
Respiração difícil em um meio ácido decantado.
Saudosismo made in China através de máscaras.
Palito de fósforo ateando fogo azul no mundo.